Estudo britânico afirma: as próteses mamárias de silicone PIP não causam câncer de mama

by Equipe Projeto Mama on 22 de junho de 2012

in Mamoplastia

 

 

Você pode ler um resumo sobre a polêmica em torno das próteses de silicone da marca PIP aqui. 

 

O governo britânico havia solicitado a Sir Bruce Keogh, diretor médico do Department of Health (órgão equivalente ao Ministério da Saúde brasileiro), que coordenasse um estudo sobre os implantes PIP e as suas consequências para a saúde humana.

Desde então, o grupo britânico analisou 240.000 implantes de diferentes marcas (incluindo as próteses PIP), que foram utilizados em 130.000 mulheres no Reino Unido, e dados minuciosos de 5.600 cirurgias para a remoção ou troca de próteses mamárias.

Em 18 de junho de 2012, Bruce Keogh publicou o relatório final dos estudos realizados no Reino Unido. Destacamos algumas das suas conclusões:

  1. Embora o gel utilizado para a fabricação das próteses PIP seja diferente daquele adequado para seres humanos, os inúmeros testes realizados sobre esse material não detectaram nenhuma substância cancerígena ou que fosse tóxica para a saúde no longo prazo;
  2. Os implantes PIP, de fato, apresentam uma taxa de ruptura elevada.  Eles se rompem 2 vezes mais frequentemente do que seria desejável. Essa taxa de rompimento aparentemente é de 6 a 12% após 5 anos de uso, subindo para 15 a 30% após 10 anos. Em comparação, no mesmo estudo, outras marcas de próteses mamárias apresentaram uma taxa de ruptura de 10 a 14% após 10 anos.
  3. As próteses da PIP apresentam uma maior concentração de substâncias denominadas siloxanos. Apesar disso, segundo o estudo britânico, esse fato não representa maiores riscos à saúde. Os siloxanos estão presentes em desodorantes e produtos de cuidados para a pele e para os cabelos.
  4. Apesar de não terem sido encontradas substâncias comprovadamente tóxicas na composição do gel PIP, as propriedades mecânicas inferiores desse material permitem considerá-lo um produto inadequado para a utilização clínica.
  5. Quando as próteses PIP se rompem, algumas mulheres (mas não todas) apresentam sintomas como dor local e aumento de linfonodos que drenam a região da mama, como os da axila. Porém, não há evidências de que o rompimento e extravasamento tenham consequências clínicas mais graves do que esses sintomas locais.
Lembramos que os dados acima são resultado do estudo do Department of Health britânico e que outros países continuam o seguimento das pacientes que receberam implantes PIP para tirarem as suas próprias conclusões.
Por hora, nenhuma agência governamental alterou drasticamente as recomendações para as pacientes dos respectivos países. Veja o nosso post sobre “Orientações de Governos e Agências Reguladoras”.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Ministério da Saúde e as sociedades médicas recomendam formalmente a troca das próteses PIP por outra marca apenas em caso de ruptura. O governo brasileiro também decidiu que tanto o SUS (Sistema Único de Saúde) como os planos de saúde privados devem cobrir os custos da cirurgia para a retirada dos implantes da referida marca.
Por outro lado, consideramos que a decisão sobre remover ou não as próteses PIP apresenta um caráter profundamente íntimo. Cada paciente dever conversar com o seu cirurgião e, após ser informada das vantagens e desvantagens de cada escolha, poderá determinar o que é melhor para si.
Continuaremos a monitorar o assunto. Assim que novas informações relevantes forem divulgadas sobre as próteses de silicone PIP, voltaremos ao assunto em nosso blog.

Referências:

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Dr. Eduardo Gustavo Pires de Arruda (CRM 93.732) - Diretor Técnico Médico e Dr. Walter Koiti Matsumoto (CRM 112.144 / RQE 29.115) - Cirurgião Plástico

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