Importância da Análise Histológica do Câncer de Mama

by Autor Convidado on 20 de fevereiro de 2012

in Câncer de Mama

ANÁLISE HISTOLÓGICA DO CÂNCER DE MAMA

 

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A análise histológica do câncer de mama é fundamental, servindo tanto para estabelecer o diagnóstico quanto para avaliar fatores prognósticos e preditivos. Essa análise é realizada por um médico especialista na área, o Patologista.

Há muitas diferenças entre os tumores de mama, isto é, não existe apenas um tipo de câncer de mama. Existem vários subtipos histológicos, sendo os tipos ductal e o lobular os mais freqüentes (com cerca de  40-75% e  5-15% dos casos, respectivamente – dados da Organização Mundial da Saúde2). Porém, mesmo dentro de um mesmo subtipo, as características diferem de um tumor para outro. As características prognósticas foram, com o trabalho de Ellis e colaboradores em 1991 3, padronizadas sob uma mesma classificação: o índice de Nottingham. Este leva em conta características como a quantidade de formação tubular (se o tumor tende a formar glândulas, como o tecido mamário normal, ou se não se diferencia, formando blocos celulares sólidos), a atipia do núcleo (o quanto ele parece diferente de uma célula normal) e o número de mitoses (mostra o quanto as células tumorais se replicam). A interpretação conjunta destes dados permite a classificação de um tumor em diferentes graus de diferenciação: bem (grau 1), intermediário (grau 2) ou pouco diferenciado (grau 3).

No ano 2000, foi publicado o trabalho de Perou e colaboradores 1 demonstrando que, na verdade, existem ainda mais diferenças entre os tumores de mama. Isto é, mesmo dentro dos tipos histológicos mais comuns, e dos carcinomas com um mesmo grau de diferenciação (grau histológico), há tumores com enormes diferenças comportamentais, isto é, desde tumores mais indolentes até os com rápido crescimento e progressão. Como exemplos nestes subgrupos, podemos citar os subtipos Luminais, HER2 e Triplo Negativos.

Desde então, uma enorme quantidade de recursos vêm sendo investidos no melhor conhecimento dos diferentes tumores. A cada descoberta, as ferramentas disponíveis para avaliação de fatores preditivos e prognósticos aumentam e tornam-se rotina na avaliação dos carcinomas da mama. As características prognósticas clássicas 3, como grau histológico, acometimento linfonodal e margens cirúrgicas, foram associadas a outras, mais recentes, tanto preditivas quanto prognósticas 4, 5, 6, como avaliação de receptores hormonais – possibilitando tratamento hormonioterápicos – ou de superexpressão de HER2 – também com  medicamentos específicos – e até mesmo uma melhor avaliação do índice de proliferação tumoral – possibilitando predizer uma possível resposta efetiva aos diferentes medicamentos.

O conjunto destes dados, sob uma análise criteriosa e seqüencial, nos permite agrupar os carcinomas em subgrupos distintos, com diferentes prognósticos e respostas aos tratamentos4.

 

IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DA MAMA APARENTEMENTE NORMAL

 

É intuitiva a idéia de que a melhor maneira de resolver um problema é impedir que ele aconteça. No câncer de mama, isso não é diferente. Por isso, as lesões precursoras, isto é, aquelas que antecedem o câncer de mama, assim como as alterações que conferem um maior risco de desenvolvimento do câncer, têm sido extensamente estudadas.

Ferramentas importantes na detecção destas alterações, como um bom exame clínico e radiológico, já estão bem estabelecidas, assim como a sua peridiocidade necessária. No entanto, há lesões iniciais – engoblando tanto lesões precursoras ou ainda aquelas que conferem maior risco para o desenvolvimento do câncer -  que escapam da detecção por estes métodos, pois ainda não estão suficientemente desenvolvidas para dar sinais ou sintomas. Apesar de, felizmente, esta situação não ser tão comum, qualquer oportunidade de uma boa avaliação de um tecido aparentemente normal não deve e não pode ser desperdiçada, pois será a única chance de avaliá-lo.

 

 

Bibliografia

1.         Perou CM, Sorlie T, Eisen MB, van de Rijn M, Jeffrey SS, Rees CA, Pollack JR, Ross DT, Johnsen H, Akslen LA, Fluge O, Pergamenschikov A, Williams C, Zhu SX, Lonning PE, Borresen-Dale AL, Brown PO, Botstein D: Molecular portraits of human breast tumours, Nature 2000, 406:747-752

 


2.     Tavassoli FA, Devilee P: Pathology and Genetics of Tumors of the Breast and Female Genital Organs, 2003,

 


3.         Elston CW, Ellis IO: Pathological prognostic factors in breast cancer. I. The value of histological grade in breast cancer: experience from a large study with long-term follow-up, Histopathology 1991, 19:403-410

 


4.         Bhargava R, Striebel J, Beriwal S, Flickinger JC, Onisko A, Ahrendt G, Dabbs DJ: Prevalence, morphologic features and proliferation indices of breast carcinoma molecular classes using immunohistochemical surrogate markers, Int J Clin Exp Pathol 2009, 2:444-455

 


5.         Cheang MC, Chia SK, Voduc D, Gao D, Leung S, Snider J, Watson M, Davies S, Bernard PS, Parker JS, Perou CM, Ellis MJ, Nielsen TO: Ki67 index, HER2 status, and prognosis of patients with luminal B breast cancer, J Natl Cancer Inst 2009, 101:736-750

 


6.         Nielsen TO, Hsu FD, Jensen K, Cheang M, Karaca G, Hu Z, Hernandez-Boussard T, Livasy C, Cowan D, Dressler L, Akslen LA, Ragaz J, Gown AM, Gilks CB, van de Rijn M, Perou CM: Immunohistochemical and clinical characterization of the basal-like subtype of invasive breast carcinoma, Clin Cancer Res 2004, 10:5367-5374

 

info Importância da Análise Histológica do Câncer de Mama Texto escrito por Dr. Fernando Nalesso Aguiar (CRM-SP 120.274) – Médico Patologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo “Octavio Frias de Oliveira” – ICESP.

 

Revised on 13 de março de 2012

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