Sobre a polêmica em torno das próteses de silicone da marca PIP – parte II

by Dr. Eduardo Gustavo Pires de Arruda on 27 de dezembro de 2011

in Câncer de Mama, Cirurgia Plástica, Mamoplastia

Próteses de silicone PIP (Poly Implant Prothese) – O que fazer?

Os implantes mamários de silicone da marca PIP, de origem francesa, foram proibidos no Brasil, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em abril de 2010.
Os motivos desta proibição foram:

  1.  O silicone utilizado nestas próteses não tinha autorização da vigilância sanitária da França para uso em seres humanos (descobriu-se, depois, que se tratava de silicone industrial);
  2. As próteses desta marca apresentam maior chance de ruptura por “defeito de fabricação” (lê-se: produto de pior qualidade que não oferece a resistência esperada à ruptura, causada pela retirada de uma das camadas de proteção da cápsula ou invólucro da prótese).

No Brasil foram comercializadas por volta de 35.000 próteses francesas da marca PIP sendo que 25.000 unidades foram utilizadas em pacientes. As próteses restantes foram recolhidas e estão sendo analisadas pela Anvisa.
Não há, no momento, correlação do uso destas próteses com o aparecimento de câncer de mama. Nove foram os casos de câncer de mama descritos em pacientes com próteses PIP, mas não foi estabelecida uma relação de causa e efeito destas próteses com o câncer. Mesmo assim, o Ministério da Saúde Francês recomendou a retirada ou a substituição das próteses da marca PIP.
Nos casos em que a prótese estiver íntegra, a cirugia de retirada ou troca das mesmas poderá ser um procedimento simples, porém estará indicada a retirada da cápsula que o organismo produziu (como reação ao corpo estranho) ao redor das próteses. Por se tratar de silicone industrial, não há segurança em se manter tal cápsula. Em casos de ruptura da prótese e extravasamento do material, há condições técnicas de se remover o silicone, porém a manutenção do silicone nas mamas poderá causar reação inflamatória crônica.
A primeira decisão a se tomar é retornar ao seu médico para confirmar se as próteses utilizadas são da marca PIP. Lembrem-se que os médicos que utilizaram esta marca de prótese acreditaram se tratar de empresa idônea e de material de boa qualidade. Mantenha uma boa relação com seu médico pois ele é a sua primeira opção para a retirada ou troca das próteses.

Fontes:
Folha de São Paulo
Associated Press – SP

info Sobre a polêmica em torno das próteses de silicone da marca PIP   parte IIDr. Eduardo Gustavo Pires de Arruda – Membro da Sociedade Brasileira de Cirugia Plástica, Especialista em reconstrução mamária pela Faculdade de Medicina da USP, Médico Assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.

Revised on 13 de março de 2012

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Diretor Técnico Médico do Projeto Mama (CRM 93.732) e Médico Assistente (Cirurgião Plástico) do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

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