Teste de DNA para avaliação do risco de Câncer de Mama: vale a pena?

by Equipe Projeto Mama on 1 de fevereiro de 2012

in Câncer de Mama

ScreenHunter 02 Jan. 30 18.08 300x177 Teste de DNA para avaliação do risco de Câncer de Mama: vale a pena?

Folha.com (19/01/12): “Por R$ 3.000, teste de DNA avalia risco de câncer de mama”

Diversas empresas ao redor do mundo tem divulgado seus serviços para sequenciamento do DNA e testes para avaliação do risco de algumas doenças, entre elas o Câncer de Mama, como ilustrado na matéria acima.

Já existem testes que estimam o risco da forma hereditária do Câncer de Mama, que é influenciada por mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. A empresa citada na matéria propõe um serviço que identificaria mutações em outros dezenove genes e vinte e duas variações específicas ligadas à forma não hereditária da doença. Segundo o representante da empresa que comercializa o teste, as pacientes que tiverem um resultado de médio ou alto risco para câncer de mama de acordo com o teste de DNA poderão receber acompanhamento específico, adotar medidas preventivas e serem submetidas a exames mais detalhados (sic).

Um teste de DNA que identificasse mutações em genes relacionados ao Câncer de Mama e estimasse o risco de desenvolvimento da doença seria realmente útil? Achamos que, atualmente, os testes do gênero resultam em informações de utilidade prática muito limitada. Toda mulher que considera a realização de testes do gênero deveria discutir com o seu mastologista sobre a real necessidade desses exames e as suas implicações. A discussão em torno deles levanta algumas questões:

  • Caso o resultado do teste de DNA seja “alto risco para Câncer de Mama”, a paciente infalivelmente desenvolverá a doença? Atualmente, não existe um exame com 100% de acurácia, ou seja, o teste não é uma garantia de que a mulher com alto risco terá câncer.
  • O fato de se submeter ao teste genético reduz o risco de uma mulher desenvolver Câncer de Mama? Não.
  • Depois do Câncer de Pele, o Câncer de Mama é o tumor maligno de maior incidência na população feminina mundial e resulta ainda em grande morbidade e mortalidade. Será que apenas esses dados não justificam um acompanhamento rigoroso, medidas preventivas e exames detalhados por qualquer paciente? A mulher não precisa de um teste de DNA para saber que deve adotar todos os cuidados relacionados ao Câncer de Mama.
  • Uma mulher apresentou um resultado de alto risco no teste genético: como ela poderia tratar as mutações identificadas? Hoje em dia, isso simplesmente não é possível. Apesar dos avanços significativos e promissores, a Terapia Gênica (conjunto de técnicas que permitem modificar o sequenciamento dos genes, alterar mutações e corrigir outros defeitos genéticos) ainda está em fase experimental e não pode ser oferecida na prática clínica usual. Assim sendo, uma pessoa pode saber ser portadora de uma mutação mas não sabe se ela terá consequências clínicas e nem poderá alterá-la.
Para saber mais sobre o assunto, vale a pena ler os artigos semanais da coluna “Genética” da revista “Veja” de autoria de Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), em especial os seguintes:
Revised on 13 de março de 2012

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Dr. Eduardo Gustavo Pires de Arruda (CRM 93.732) - Diretor Técnico Médico e Dr. Walter Koiti Matsumoto (CRM 112.144 / RQE 29.115) - Cirurgião Plástico

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