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Câncer de Mama

Incidência

O câncer de mama é a segunda causa de morte em mulheres e a primeira causa por câncer, chegando a atingir 15.000 mortes por ano.

Sua incidência vem aumentando progressivamente para todos os grupos de faixa etária e as medidas de prevenção primária continuam limitadas, uma vez que não há certeza sobre a causa exata da doença. O que se sabe é que certas alterações no DNA podem levar células normais a se tornarem cancerígenas, e que essas alterações ocorrem durante a vida da mulher, não sendo herdadas.

Fatores de Risco

>> Fatores que NÃO podem ser modificados: sexo feminino, idade maior que 55 anos, fatores genéticos, antecedentes familiares e pessoais de câncer, neoplasia lobular, hiperplasia atípica, alta densidade mamária, menarca precoce ou menopausa tardia, etc.

>> Fatores que podem ser modificados: modo de vida (nuliparidade ou primeira gestação após 30 anos, uso de terapia de reposição hormonal, falta de aleitamento materno, consumo de álcool, obesidade, falta de atividades físicas, etc.).

Redução do Risco

Muitos estudos epidemiológicos tem sugerido a redução do risco de câncer de mama relacionada ao aleitamento materno, sobretudo para aqueles que se prolongam por mais de 1 ano e meio. Admite-se que poderia haver diminuição de 4% no risco relativo para cada 12 meses de aleitamento exclusivo. Esta redução poderia parecer pouca, mas significariam 1.000 casos a menos de câncer de mama ao ano no Reino Unido, se cada criança fosse amamentada por 6 meses adicionais.

Vários mecanismos têm sido postulados para explicar como isso seria possível: modificações hormonais, como a redução do estrogênio, remoção de estrogênio através do leite materno, eliminação de substâncias carcinogênicas, modificações nas células epiteliais mamárias (diferenciação máxima), retardo no reestabelecimento da ovulação, etc.

Recentemente, alguns estudos sugerem que a redução promovida pelo aleitamento no risco de desenvolvimento de câncer seria ainda maior nas pacientes portadoras de outros fatores de risco (antecedente familiar ou mutações genéticas conhecidas como do BRCA 1).

Amamentação

No Brasil, são diagnosticados aproximadamente 50.000 casos novos ao ano de câncer de mama. A maioria dos casos de câncer diagnosticados ocorre em mulheres do risco normal, sem antecedentes familiares (80% delas representam o primeiro caso na família). A questão é que uma vez que se tenha familiar de primeiro grau acometida pela doença, o risco relativo desta paciente (em relação ao apresentado por outra pessoa sem este antecedente) é maior.

Infelizmente os diagnósticos são feitos numa parcela ainda pequena nos estágios iniciais. Enquanto, em países desenvolvidos, são diagnosticados 25% dos casos no estágio 0 (carcinoma in situ, forma não invasiva do câncer), no Brasil, este percentual se limita a apenas 5% e aproximadamente 40% correspondem a estágios avançados. Um dos possíveis motivos mais significativos para estes fatos seria o de que apenas 20% das mulheres em idade para qual se indica o rastreamento mamográfico o fazem e somente 6% delas realizam com a periodicidade adequada.

Rastreamento Mamográfico

Estudos já demonstraram que o rastreamento mamográfico pode reduzir em até 30% a mortalidade pelo câncer de mama.

Existiriam mamógrafos suficientes no Brasil, no entanto, os mesmos estão concentrados em apenas 20% do território brasileiro, sobretudo nos grandes centros urbanos. Grande parte dos mamógrafos em operação está disponível no setor privado. Muitos aparelhos inoperantes encontram-se no setor público, onde a demanda certamente é muito expressiva.

Existem controvérsias recentes sobre o rastreamento mamográfico, muitas delas de natureza não médicas, mais relacionadas ao gerenciamento de custos na área de saúde.

Estudos concluídos em grandes centros europeus comprovam a importância do rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos, anualmente, até os 60 anos, para o grupo do risco populacional normal. Quando existirem fatores que insiram a paciente no risco aumentado, o início do rastreamento poderá ocorrer antes. Por exemplo, uma paciente com essas características iniciará o rastreamento com mamografia em uma idade 10 anos mais nova do que a idade em que o caso mais precoce de câncer de mama tenha sido diagnosticado na mesma família ou poderá fazer essa pesquisa através do uso da ressonância magnética de mamas.

O objetivo do rastreamento mamográfico é promover a detecção de lesões iniciais, subclínicas (não palpáveis) ou suspeitas (que podem demorar anos para tornarem-se palpáveis) e submetê-las a biópsia percutânea (core-biopsy ou mamotomia) para confirmação do diagnóstico. A partir do diagnóstico, realiza-se o planejamento terapêutico, que habitualmente se inicia com a terapia cirúrgica.

Procede-se então ao estadiamento locorregional que avalia a extensão do tumor, presença de outras lesões adicionais na mesma mama ou na oposta, a presença de acometimento dos linfonodos axilares. A depender do tamanho do tumor, relação do mesmo com o volume da mama acometida, da localização do tumor, da distância do mesmo para a papila e da pele, do comprometimento ou não dos linfonodos axilares, entre outros fatores, determina-se a proposta cirúrgica mais apropriada.

Portanto, para cada caso diagnosticado de câncer de mama, poderá haver uma proposta mais acertada. A complementação da cirurgia com radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia, dependerá do conjunto das informações já reunidas e das que virão da análise do produto cirúrgico. O prognóstico da doença estará vinculado ao seu estadiamento, de forma que quanto mais inicial for o mesmo, tanto maior será a taxa de sobrevida em 5 e 10 anos.

É fundamental que se entenda que tratamento algum deverá agredir a paciente mais do que a própria doença, de forma que cada etapa da terapêutica proposta deve trazer mais benefícios à paciente que complicações. É neste sentido que a Cirurgia Oncoplástica pode oferecer uma reparação do defeito estético causado pela cirurgia oncológica e buscar, através da maior aceitação e satisfação da paciente, uma maior aderência ao tratamento e uma evolução mais harmoniosa.

Conclusão

Enquanto pudermos fundamental e basicamente promover o diagnóstico precoce do câncer de mama, devemos sim, estimular sua prevenção primária, ainda que sem seus devidos mecanismos determinados, divulgando e praticando os bons hábitos de vida, incluindo aqui o aleitamento materno prolongado.