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Tecidos Autólogos

Tecidos Autólogos são aqueles que fazem parte do corpo da própria paciente. Para a reparação da mama, são utilizados pele, gordura e músculo de outras regiões do corpo. Por maior que seja o avanço na tecnologia de desenvolvimento dos Materiais Aloplásticos, muitas situações causadas pelas cirurgias para retirada do câncer só podem ser resolvidas com Tecidos Autólogos. Por exemplo, não podemos utilizar uma prótese de silicone se a paciente não apresenta uma quantidade mínima de tecidos no tórax para a cobertura dessa prótese, uma vez que isso levaria a um resultado estético insatisfatório além de infecção ou extrusão do implante de silicone. Além de fornecer cobertura, os tecidos podem ser usados para proporcionar volume, sendo que muitas vezes conferem um aspecto mais natural à mama do que uma prótese.

Podemos classificar as técnicas de Cirurgia Plástica que utilizam os Tecidos Autólogos em enxertos e retalhos. Os enxertos são tecidos transportados de uma área doadora para a área de reconstrução sem uma irrigação sanguínea própria. Como exemplo, os principais tipos de enxertos utilizados em Reconstrução Mamária são os enxertos de pele e os de gordura.

Em oposição aos enxertos, os retalhos são tecidos transportados com a sua própria vascularização. Apesar de seu nome não apresentar uma fonética agradável para muitas pacientes, os retalhos constituem uma das alternativas mais úteis e versáteis do arsenal do cirurgião plástico em reconstruções de todos os tipos, inclusive da mama. O fato de os retalhos trazerem a sua própria vascularização é importantíssimo para a reconstrução, pois significa que o corpo humano consegue bombear mais sangue para a região reparada. Isso pode atenuar os efeitos da radiação em pacientes que precisam passar pela radioterapia e pode reduzir a incidência de infecções em pacientes que receberam próteses de silicone.

Os retalhos são chamados locais quando a sua área doadora se situa na vizinhança do seio que sofreu a retirada do tumor. Um dos exemplos é o Retalho Toracolateral, que utiliza o excedente de pele e gordura da região lateral do tórax para proporcionar cobertura e volume para a nova mama (podem notar que a maioria das mulheres possui uma sobra de pele nessa região, que fica imediatamente inferior à axila).

Os retalhos à distância são aqueles cuja área doadora não se situa na vizinhança das mamas. Os mais utilizados em reconstrução mamária são o TRAM e o Retalho Grande Dorsal. O TRAM (Transverse Rectus Abdominis Muscle) representou um marco para a Reconstrução de Mama a partir da década de 1980. Nesta técnica, o excedente de pele e gordura do abdome inferior (abaixo do umbigo) é transposta por baixo da pele do abdome superior para a região da mastectomia. Assim, apenas pacientes que apresentam uma sobra de pele no abdome podem ser submetidas a essa cirurgia. Após a transposição, a pele e gordura são moldados para adquirirem o formato de uma mama. Com essa cirurgia, a paciente recebe não apenas a cobertura de pele para o tórax, como também o volume que simula uma mama, sem a necessidade de uma prótese. A vascularização desse retalho é garantida pelo músculo reto do abdome, que permanece conectado à pele transposta, mas que perde a sua função na parede abdominal. Embora os outros músculos do abdome compensem em parte a função do reto abdominal e apesar de o cirurgião sempre reforçar a parede abdominal com uma tela sintética nessa cirurgia, uma desvantagem dessa técnica é a maior fraqueza da parede do abdome.

O Retalho Grande Dorsal (também conhecido como Latissimus do Dorso) é baseado no músculo de mesmo nome que se situa nas costas. É um retalho extremamente versátil que é utilizado para proporcionar cobertura cutânea para a área de mastectomia e para melhor proteger próteses ou expansores quando a pele que resta no tórax é escassa ou pobremente vascularizada. Nesta técnica, o retalho juntamente com o músculo, passa por sob a pele do tórax lateral e, assim como no TRAM, apenas a pele do retalho fica visível (a porção muscular do retalho fica escondida e atrofia com o tempo). Diferentemente do TRAM, o Grande Dorsal não fornece grande volume e geralmente é associado à utilização de prótese de silicone. Porém, pode ser indicado em pacientes magras, o que não ocorre com o TRAM.

Os Retalhos Microcirúrgicos (ou Retalhos Livres) representam um avanço da técnica de retalhos à distância. Neste tipo de cirurgia, pele, gordura e, às vezes, uma diminuta porção de músculo são levados à área de reconstrução após secção dos vasos sanguíneos que nutrem esses tecidos. A seguir, esses vasos são anastomosados (reconectados) a vasos do tórax para que se restabeleça o fluxo sanguíneo no interior do retalho. A técnica é dita microcirúrgica porque os vasos mencionados apresentam de 1,5 a 3,0 milímetros de diâmetro e, para a anastomose (reconexão), são necessários microscópio e instrumentos específicos para esse fim. Dentro da Cirurgia Plástica, é considerada uma técnica complexa e, dentre os cirurgiões plásticos, apenas uma minoria tem formação para executá-la. A grande vantagem da técnica microcirúrgica é preservar a função dos músculos, que seria sacrificada para a confecção de retalhos à distância.

Quando comparados com a reconstrução que se utiliza apenas de Materiais Aloplásticos, podemos dizer que as cirurgias com retalhos são mais complexas, apresentam uma duração maior e demandam um conhecimento de anatomia humana profunda por parte do cirurgião plástico. Porém, é necessário lembrar que não estão indicadas para todas as pacientes e algumas mulheres podem se beneficiar mais do uso de próteses.